VIDEO CLIP
Basicamente podemos dizer que videoclipe é um filme pequeno acompanhado por uma música e cujo objetivo principal é transmitir uma mensagem, oferecer significados e identidade a música e ao músico(s). Videoclipes sempre estiveram e ainda estão muito relacionados a marketing. Segundo Arlindo Machado “o videoclipe é irmão da publicidade”.
A banda The Beatles foi talvez uma das primeiras a utilizar esse meio audiovisual na década de 60, mas foi a partir do surgimento da MTV na década de 80 que uma explosão em matéria de videoclipes aconteceria. A MTV foi um divisor de águas na televisão.
“A Velha a fiar” é considerada por muitos o primeiro videoclipe brasileiro, isso pelo fato de Humberto Mauro utilizar-se de som e imagem sincronicamente, outra característica marcante em questão de videoclipe. Interessante mesmo é analisarmos a linguagem pela qual o videoclipe se utiliza para transmitir essa mensagem.
O videoclipe tem antecedentes diretos no cinema de vanguarda dos anos 1920, como as experimentações de Dziga Vertov e Walther Ruttmann. Já naquela época, estes cineastas tentavam articular montagem, música e efeitos para criar um novo tipo de narrativa, própria do meio audiovisual e livre dos cânones de até então na literatura e no teatro, como a linearidade. Suas respectivas obras-primas atual. O Homem com a Câmera e Berlim: Sinfonia da Metrópole guardam muitas semelhanças com a estética do videoclipe O videoclipe começou a ser amplamente utilizado a partir da anos 1960, pela banda The Beatles, pois não podiam ir a todos os lugares para que se apresentassem ao vivo, daí gravavam-nos cantando e então passavam a ser exibidos na televisão. Mais tarde, os vídeos da banda começaram a já tomar forma similar aos de hoje. O advento do videotape (fita de vídeo), nos anos 1970, e do videocassete doméstico (aparelho reprodutor de vídeo), nos anos 1980, permitiram reproduzir a experiência cinematográfica (até então coletiva, feita dentro de salas de exibição para centenas de pessoas) de forma íntima, privativa, residencial. Com isso, os produtores passaram aproximar a forma dos filmes às linguagens da televisão.
Os elementos básicos constituintes do videoclipe são a música, a letra e a imagem, que, manipulados, interagem para provocar a produção de sentido. Os aspectos (características) de como estes elementos são construídos incluem a montagem, o ritmo, os efeitos especiais (visuais e sonoros), a iconografia, os grafismos, e os movimentos de câmera, entre outros. A montagem é o processo de justaposição de imagens diferentes filmadas separadamente. A mudança de uma imagem para outra é chamada de "corte", e cada intervalo entre um corte e outro recebe o nome de "plano". Na montagem de videoclipes, este intervalo costuma ser muito curto. A iconografia diz respeito à origem das imagens usadas como referência cultural, ao repertório visual utilizado no clipe. Muitos videoclipes fazem referências a figuras de outras expressões culturais, como a literatura, o teatro, as artes plásticas e o cinema, entre outros. Às vezes esse tipo de referência é feito sob a forma de paródia ou pastiche. O grafismo é a introdução de elementos gráficos, como tipografia (letras e algarismos), desenhos, animações e formas geométricas, ou quaisquer elementos não-filmados, na imagem final. Mais recentemente, final dos anos 1990 em diante, diversos diretores de clipes musicais têm se tornado cineastas e realizado filmes que inspiram inovações de forma e linguagem na indústria cinematográfica. Nos EUA, tais diretores criaram uma nova safra do cinema independente norte-americano. Alguns destes são Spike Jonze, Michel Gondry, Mike Mills, David Fincher, Mark Romanek, Wes Anderson, Jonas Åkerlund, Roman Coppola e McG, entre outros. Outras produções que têm chamado à atenção por causa das novas formas com que tratam a imagem cinematográfica e a aplicação da "estética videoclipe" à construção fílmica são, ainda, "Corra, Lola, Corra" (Lola Rennt), "Clube da Luta" (Fight Club), "Europa" (Europa), "Amores Brutos" (Amores Perros), "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (Amélie Poulain) e "Cidade de Deus" (idem). Há, entre eles, muitas distinções, porém um fato em comum: trazem uma nova plasticidade imagética, como montagem acelerada e grafismos. O estético videoclipe também exerceu forte influência sobre o mercado publicitário, levando os profissionais de propaganda a buscar anúncios cada vez mais impactantes e sintonizados com tendências estéticas mais recentes quanto possível. Há, ainda, influência considerável do videoclipe dos (e nos) jogos eletrônicos (videogames).